2026-09-19
Confissão das Duas da Manhã
Quando a Cidade Finalmente Dorme
Passava das duas e a chuva transformara as janelas em manchas douradas dos postes. Estávamos no meu sofá, tão perto, aquele tipo de proximidade que faz a pele vibrar. Eu havia chutado os saltos horas atrás. Ele havia perdido a gravata. Nenhum de nós tinha ido para casa.
Eu podia sentir o cheiro dele — pele quente, aquele perfume que eu fingia não notar. Toda vez que ele ria do que eu dizia, eu sentia isso bem no fundo do meu estômago.
A Mentira que Continuávamos Contando
Vínhamos chamando isso de amizade. Conversas até tarde. Inofensivo. Mas meus olhos não paravam de cair na boca dele e os dele encontravam o decote aberto da minha blusa. Eu o desejava tanto que minha voz saía mais suave do que pretendia.
Eu me mexi e minha coxa roçou a dele. Ele não se afastou. Calor. Imediato. Eu mordi o lábio para não soltar um gemidinho só com isso.
Finalmente
Eu olhei nos olhos dele e parei de fingir. "Eu ando te querendo. Não de um jeito bonitinho, de fogo lento. Eu quero suas mãos em mim. Quero saber como você soa quando para de se segurar."
A respiração dele falhou. Depois ele disse, baixo e rouco, "Eu te quero desde a noite em que nos conhecemos. Tenho ido pra cama pensando no jeito que você me olha quando acha que não estou vendo."
O Centímetro Entre Nós
Ele ergueu a mão e prendeu uma mecha de cabelo atrás da minha orelha, os dedos demorando no meu pescoço. Eu me inclinei no toque como se estivesse faminta por ele. Nossos rostos estavam tão perto que eu sentia a respiração dele nos meus lábios.
Eu não o beijei. Ainda não. Deixei o desejo pairar ali, denso e trêmulo, e sussurrei: "Então o que você está esperando?"
Os olhos dele escureceram. A mão dele deslizou até minha cintura. E a noite prendeu a respiração junto com a gente.
— Maya Anime
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